domingo, 24 de abril de 2011

Principais Crises.




Eu tento encarar meus problemas com firmeza, muitas vezes digo que não tenho doença nenhuma, mas não é de hoje que minhas doenças me atrapalham e me limitam de certa forma, ainda estou construindo o blog, mas vai aí pouco de mim.
Tive muitas doenças nessa minha vida, mas agora vou tratar do foco do blog que é epilepsia e transtorno bipolar. Minhas crises epiléticas começaram a aparecer aos 9 anos de idade, eu tive muita dor de cabeça, podia tomar o remédio que fosse, não passava, o médico falou pra minha mãe que provavelmente era hormonal, as dores de cabeça passaram com o tempo.
Aos 10 anos comecei a ter crise de ausência, que se manifesta como um autismo temporário, a média das crises durava menos de um minuto, quando eu voltava na maioria das vezes não lembrava no que estava pensando, por isso a escola pensou que eu tivesse autismo ou alguma deficiência mental leve e me encaminharam para a psicóloga, ela constatou que eu tinha um leve déficit de atenção, que não chegava a ser um transtorno.
 Com 12 anos eu voltei a ter crises de dor de cabeça que meu médico de sempre diagnosticou novamente como sendo hormonal. A minha cabeça doía de um jeito que era insuportável, até hoje eu nunca senti tanta dor na minha vida, eu não conseguia andar direito, falar direito, comer direito, fiquei durante três dias no escuro do meu quarto escutando música bem baixinha e sem conseguir dormir.
Minha mãe no terceiro dia resolveu que eu não ia mais ficar no quarto e me arrastou pra casa da minha tia, eu lembro que estava indo para o portão e gritei minha mãe para ir embora comigo, foi quando eu tive a primeira convulsão, essa mesma, a crise epilética mais séria, ficava babando, tremendo no chão, e fazia ruídos assustadores, foi quando eu comecei a tomar remédio para diminuir as crises, mas até os 16 anos foi bem difícil de controlar.
Aos 19 anos meu comportamento com meus amigos começou a mudar, fui grossa com eles, pensava que eles falavam mal de mim e que queriam meu mau, eu que todo final de semana tinha uma festa pra ir e vivia rodeada de amigos, me vi sozinha, trancada dentro do meu quarto com um estilete na mão cortando meu corpo, normalmente pernas e braços.
Felizmente eu melhorei, fiz vestibular e passei, durante o primeiro semestre eu fui uma das melhores alunas da turma, nos outros seis meses do ano era muito difícil de sair do meu quarto, eu tinha medo, muito medo, medo de tudo, mais cortes, mais feridas, tenho cicatrizes até hoje, reprovei em três disciplinas, perdi meu emprego, mas aconteceu uma das melhores coisas na minha vida, conheci meu namorado, que sempre me ajudou muito e está até hoje ao meu lado.
No ano seguinte já com 21 anos tentei novamente, fazer o segundo ano e as disciplinas do primeiro, até os quatro meses eu consegui conciliar bem, depois foi o mesmo desastre, durante esse tempo eu tive aula de psicologia, percebi que eu me encaixava em todas as características de depressão.
Consegui uma bolsa em uma faculdade particular e mudai pra lá, a mesma faculdade do meu namorado. Tive várias crises nervosas, normalmente com espasmos, percebi que precisava de ajuda médica, com 22 anos meu psiquiatra diagnosticou transtorno depressivo de humor bipolar.
Em 2010 fui uma das melhores alunas da sala, tive uma nota 85, as outras foram acima de 90, tirei 100 em metade das disciplinas. Estou no segundo ano, as coisas estão difíceis nessa época, mas eu estou lutando muito.
Nessa minha jornada encontrei pessoas boas e más, e pessoas que não eram uma coisa nem outra, vou regularmente ao neurologista, psiquiatra e psicóloga, tomo 9 comprimidos por dia, desde meus 12 anos que eu não sei o que é acordar e dormir sem tomar remédios, por enquanto é o que me mantém em pé, se um dia eu vou parar; não sei, mas eu continuo lutando!

                

sexta-feira, 22 de abril de 2011

EUs

As histórias que contarei aqui são todas reais, porém não divulgarei meu nome, pelo menos por em quanto. Eu existo em vários “EUs”. O meu eu mais conhecido é a de uma jovem professora que está cursando a faculdade, tranquila e pacífica, que luta para vencer sua epilepsia e transtorno bipolar.
O “EU” que vou usar aqui não é tão meigo, pelo contrário, aqui reside uma jovem frustrada, com muitos traumas durante a infância e a adolescência, contrariada por sempre ter sido uma boa garota e mesmo assim tem epilepsia e transtorno bipolar.
A grande pergunta que eu faço é “Porque eu?” O que será que eu fiz para merecer tal condição? Não sou perfeita, mas existem pessoas que foram muito mais cruéis e não receberam este castigo, pois dez anos tratando uma doença é muita coisa, teve uma época que eu pensava que era hipocondríaca, mas infelizmente eu não sou, desde que eu nasci venho contraindo doenças que a maioria das pessoas não tem, pelo menos não todas de uma vez.
Eu penso que posso estar sendo hipócrita, pois existem pessoas bem piores que eu e não reclamam como eu, mas esse pensamento fica reservado a jovem professora , aqui eu quero ser mais agressiva, quero contar coisas que nunca contei a ninguém, ou que contei a poucas pessoas, aqui eu vou divulgar meu blog de jeito que eu quero, conversar com as pessoas sem ter medo do que falar.
Eu tenho problemas em ir ao psicólogo que não vou contar agora, a minha intenção é usar esse blog como divã e compartilhar tudo que me aflige.
Me chamem de Bia Górgona pois é esse pseudônimo que vou utilizar aqui! Escreverei crônicas de uma epilética bipolar, serão todas histórias verdadeiras, mas talvez eu mude alguns detalhes.